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segunda-feira, 19 de março de 2012
  Uma terceira via para Batalha - Crônica do Padre Leonardo de Sales
 

“A terceira via é tomada do possível e do necessário. Ei-la. Encontramos, entre as coisas, as que podem ser ou não ser, uma vez que algumas se encontram que nascem e perecem.” (Santo Tomás de Aquino).

     A cidadania como vivência de deveres e direitos inclui também o compromisso e o desafio de lançar, permanentemente, um olhar perscrutador sobre a realidade. A grande responsabilidade cidadã quanto aos rumos da história precisa sempre ser destacada.
   As eleições devem ressoar como convocação peremptória ao cidadão, para que este indispensável exercício de cidadania influencie na definição de rumos, horizontes e metas na vida da sociedade batalhense. Está em jogo o que se quer para o próximo quadriênio, em se tratando da Prefeitura Municipal.
     A percepção da vida política de Batalha apresenta-se sob contornos essencialmente críticos. Não no sentido de desdenhar, irresponsavelmente, dos acontecimentos que envolvem tais aspectos, mas, em verdade, de se fazer um exercício para encontrar os problemas enfrentados no município, e que se transformam em obstáculos para o desenvolvimento de nossa terra.
     A impressão corrente que se tem da Política de Batalha liga-se ao domínio de alguns poucos grupos hegemônicos, que têm em comum o fato de, em geral, erguerem-se tradicionalmente em torno de empreendimentos políticos via hereditariedade e estenderem seus espaços de atuação para o campo político. A ligação entre poder econômico e político parece revelar uma conseqüência natural da mentalidade provinciana e tradicionalista, ao gosto das influências portuguesas, principalmente do período colonial da história do Brasil.
     Tal contexto tende a provocar o desprezo do interesse social em benefício dos interesses escusos das pessoas que representam as lideranças políticas, é um problema cuja superação não é instantânea, que exige coragem e união de diversas frentes para expulsar, definitivamente, os resquícios de um histórico “mandonismo local”.
     Junte-se a isto o silêncio cúmplice dos meios de comunicação de massa, que por meio de um jornalismo imparcial e quase irresponsável, marcado pela manipulação das informações, a divulgação ou omissão dos fatos tudo isto porque a estética do poder exerce maior fascínio que a ética do serviço, ou será que não é suspeito o silêncio que paira em Batalha sobre a aplicação da lei da ficha limpa, por que ninguém fala sobre isto nos veículos de comunicação? É no mínimo uma atitude digna de suspeita.
   Sem falar também, em homens e mulheres ilustrados e letrados de nossa terra, conhecedores dos domínios políticos e dos engenhos da manutenção do poder familiar que não contribuem em nada para a ampliação da discussão, em resumo, são diplomados para a realização do próprio ego sem prestar nenhum serviço à comunidade em que nasceram. Não se percebe o compromisso social com a coletividade. Ou seja, permanece o triunfo da velha mentalidade provinciana: o estudo e a pesquisa, inclusive financiada com dinheiro público, para fins pessoais e não coletivos.
    Falo isto justamente, por que acredito que fazer política, na verdade, é se preocupar com o próximo! Todo estudo, seja ele no nível da Graduação, Bacharelado, Mestrado ou Doutorado, só se justifica se for a proveito do bem comum. Costumo dizer que a pessoa mais sábia é a que melhor aprendeu a amar e servir, e não aquela que ostenta títulos e diplomas como decoração da sala de entrada de sua casa ou escritório.
     E a terceira via?
    Há algum tempo a hipótese de uma terceira via nas eleições municipais de Batalha começou a ser ventilada nas redes virtuais, sobretudo nos blogs e conversas de calçadas, sempre ventiladas por pessoas que não se permitem mais uma administração municipal feita de rodízios. Ela começou a tomar corpo assim de repende, fruto de reflexões e, do cada vez mais questionado atraso político e econômico de nosso município. Ali apareceram as primeiras manifestações sobre a necessidade de se buscar uma nova opção que quebrasse o quadro já polarizado entre duas Famílias – que certamente estarão mais uma vez, em 2012, postulando a Prefeitura Municipal de Batalha.
  Porque nos tempos atuais são dois grupos que se interessam por política em Batalha: aqueles que querem dominar e aqueles que não estão satisfeitos com a política local. Se você não é de nenhum deles, não fique “feliz”, pois, em se tratando de política, trata-se muito mais de ser contra, a favor ou ficar em cima do muro. É o nosso futuro como comunidade que está em questão.
    Desculpem-me a sinceridade, mas os nomes que se apresentam como postuladores da terceira via, nada têm com a sua filosofia, não se trata de continuísmo, nem tão pouco do exercício profissional da política, mas do exercício da cidadania.
    Em primeiro lugar, a proposta da terceira via visa romper a polarização que aí está já há vários anos, como se houvesse na organização política de Batalha apenas duas frentes qualificadas para postularem a Prefeitura. Sem entrar no mérito da capacidade das duas frentes acima citadas, há muitos outros quadros na política local que têm condições de sobra para exercer a função.
    O projeto da terceira via, passou a ser assunto de conversas entre vários amigos, incluindo-se aí alguns filhos ausentes, que vez por outra voltam à sua terra, e é impossível um questionamento: Porque Batalha não muda? Com bastante receptividade o assunto vem crescendo, entre quem deseja a boa política, e a entende como exercício do bem comum, e não a velha politicagem de sempre. Mas trata-se de uma proposta bastante arrojada e que teria de enfrentar muitos desafios para ser viabilizada. É preciso, portanto, que alguém estivesse disposto a riscar o fósforo – no bom sentido, é óbvio – e fazer alastrar a ideia por todo o Brasil, utilizando os meios disponíveis para divulgação e angariar simpatizantes para a causa.
     Espontaneamente após longas conversas com amigos, sobretudo, quando da minha última ida à Batalha tomei a mim essa iniciativa. No inicio foi uma pequena chama, que se poderia apagar com o sopro da própria boca. No entanto, à medida que a ideia começou a ganhar terreno nas redes sociais, outros companheiros começaram a achegarem-se, os portais de notícias se interessaram pela pauta de maneira que se pode afirmar, agora, que a terceira via da política batalhense vai dar o seu voo próprio, com a colaboração de diversos colegas para fazê-la chegar aos pontos mais distantes do país. Mas, de maneira especialíssima, chegar à consciência dos moradores do próprio município.
    Se de fato, nosso povo quer uma mentalidade política renovada, preocupada de fato com o crescimento e evolução social de Batalha, há de se dar conta que essa mudança não virá pelo velho modelo, que pode até ter serviço por um período de nossa história local, mas faz bastante tempo que padece de um processo de caducamento. Respinga sobre o nosso presente as consequências da política secular de visão reducionista e, ao mesmo tempo, dicotômica, como se a vida política fosse compartimentada entre o velho axioma que antes da eleição a cargos se vive de uma forma. Depois se vive de outra.
     Essas administrações fundadas nesta mentalidade tiveram todas as oportunidades para dar os passos necessários, que cidades vizinhas deram, já vai longe o tempo da Política amadora, em que se administrava uma cidade como uma fazenda ou um sítio, a mentalidade administrativa hoje passa pelo gerenciamento de ações e planejamento de metas que garantam um futuro promissor, o que é bem mais que fazer uma administração, quiçá que se consiga levar pelo menos o nome de política da “boa vizinhança”.
    A proposta da terceira via reconhece que as administrações passadas das oligarquias embora tenham dado um salto de qualidade nos últimos anos na gerência do município, sobretudo, em questões que favorecem a visibilidade, estagnou-se na linha do tempo, em razão de ingerências políticas. A terceira via deve se apresentar como proposta para aprimorar em muito a capacidade de gestão do município via políticas públicas de tal maneira que seja de fato um braço forte da Política local e na fomentação da renovação das estruturas, da educação, saúde, desenvolvimento social e econômico, cultural, humano, etc.
    A terceira via não deve pretender percorrer os caminhos supostamente percorridos pelos postulantes das eleições anteriores, quando a candidatura de “oposição” inaugurou um novo estilo de fazer campanha, em que os dois teriam lutado ombro a ombro com as mesmas armas. A ser verdade, se a terceira via empregar tal estratégia, já nasceria morta, pois carregaria sobre si o estigma contra o qual temos combatido: o uso de métodos seculares de campanhas pouco ortodoxas da política local. Lutar contra isso será uma das linhas mestras da terceira via. 
     Neste sentido quero dar este passo, com a publicação deste artigo, conclamando forças e manifestações que ampliem de forma articulada a discussão. Ele pretende ser um catalisador para arregimentar em todo o Brasil aqueles que acreditam ser possível levar adiante a ideia da terceira via em Batalha.  Quer ser a soma do resultado de um trabalho que inclui, entre outros, todos os insatisfeitos, com as práticas políticas de nossa terra.
    Não é também utópico pensar numa forma de corrigir e aprimorar o nosso modelo mediante planejamento de médio e longo prazo. Algo para ser pensado de forma lenta, racional e consensual.
    A terceira via não é contra ninguém, mas a favor de Batalha e visa arejar esse terreno árido em que se tornaram nos últimos anos as eleições municipais na nossa cidade. Ela também não tem, inicialmente, um nome. Se viesse já carimbada, perderia a finalidade para se tornar apenas mais um projeto político-partidário, com as mesmas nuances negativas que sobrecarregam as duas possíveis candidaturas mencionadas.
    Neste momento, é extremamente importante que se conheçam as linhas mestras da terceira via para que sejam bem debatidas entre os filiados da mesma, não só para que lhe agreguem valor, mas, sobretudo, para que tenhamos noção exata da sua viabilidade. Mais à frente, com a proposta bem consolidada, se definiria o nome de quem melhor encarnasse os seus princípios. Não é algo para 2013, mas para o futuro, com calma, com objetividade e planejamento de ações. O que se faria neste ano político em que teremos eleições municipais seria abrir a discussão, aproveitando o terreno fértil da própria conjuntura eleitoral.
     Essa seria uma maneira de comprometer todos os simpatizantes com o novo projeto, que estaria sendo gestado de forma exequível numa atmosfera fraterna, pacífica e espiritual, com prazo de validade: quatro anos. 
    Por outro lado, é mais do que uma proposta. É uma filosofia. É o renascer de um novo momento na história política de Batalha. É o esforço criativo de pessoas que acreditam na esperança de que prevaleçam as teses do bem comum, da sã política, fundada no princípio de bem governar.
     A terceira via quer ouvir a todos. O que acabou de ser apresentado são apenas linhas gerais. Sua contribuição muito ajudará a aperfeiçoar as propostas. Sugira e ajude a construir um novo futuro para a nossa Batalha!
    Seja mais um ao lado de tantos outros que já estão mobilizados nesta jornada! Boa reflexão a todos!
   Pe. Leonardo de Sales.
 
Comentários:
Enviado por hercules.1001@hotmail.com em 04/04/2012 às 18:46:27
Muito bom, agora é preciso agir, o Batalhense não entende a arte da guerra, onde sacrificam suas vidas por uma causa maior, as pessoas ficam esperando acontecer, eles não querem comecar do zero, cada um fala o que vem na cabeça sobre qualquer idéia nova, sem antes procurar conhecer o que realmente é, cabe aos ideologistas desta terceira via mostrar o que pretendem através de ações, mesmo que sejam pequenas, mas que mostrem a todos o significado do que está sendo proposto, aí sim o povo vai passar a acreditar e SEGUIR.
Enviado por Antonio Neto em 22/03/2012 às 00:12:35
Uma crônica extremamente politizante. Concordo com Padre Leo quando externa sua inquietude “os nomes que se apresentam como postuladores da terceira via, nada têm com a sua filosofia ...” Indigna-me ver alguns poucos quererem alargar as fileiras de simpatizantes a terceira via, quando por trás de tais atitudes percebemos que são manobras que se caracterizam como possíveis tranpolins político a estes, tentativas de tornar exequível seus próprios interesses. Já é chegada a hora da juventude batalhense envolver-se mais na vida política de nosso município.
Enviado por coriscodotabuleiro em 21/03/2012 às 10:18:18
Batalha é um curral hereditário político da família Melo e o que sobra vai para o verso da moeda, uma vez que o anverso é quem sempre está no poder. Formar uma terceira via, é um desejo de muitos que já se foram. A oportunidade é boa, porém não vejo no momento um líder político ou comunitário capaz de agregar estas forças. Forças capazes de aglutinarem pensamentos para fomentá-los à população persuadindo a uma mudança de paradigma. A Crônica é sociológica, traz o paradigma do nó górdio, por que é realmente simples a mudança, basta aparecer um líder que fale o que o povo quer escutar e, aí tudo muda.
Enviado por Francisco das Chagas Ferreira Gomes em 20/03/2012 às 22:47:17
O texto é forte, porém muito realista, isto nos mostra que já está na hora dos batalhenses acordarem e formarem outros grupos políticos. Sempre foi assim, sempre girando em torno de dois grupos, só se revesam, mas não muda nada, parece até combinação um sai e o outro entra e assim o tempo passa e nada muda!
Enviado por Antonio Francisco em 19/03/2012 às 13:11:09
Muito forte este texto do ilustrissimo padre Leonardo!!Espero que através dele muitos batalhenses possam meditar e assim tomar decisoes sábias este ano nas eleiçoes em nosa amada Batalha!!!!!
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